Conexão Grenal faz matéria especial sobre responsabilidade social

Nas últimas semanas nós estivemos concentrados em apurar informações para mais uma matéria da editoria especial do Conexão. Fomos saber um pouco mais sobre a responsabilidade social na dupla Grenal. Conversamos com diretores de Grêmio e Inter e encontramos ambos os clubes realizando ações de formas diferentes.

O Grêmio super engajado com a comunidade do entorno e o Inter com consulados descentralizados por todo o Rio Grande do Sul e até pelo mundo. O foco é oposto, mas a sinceridade dos participantes em ajudar às pessoas e o amor à camiseta são as mesmas. Você vai ler sobre o assunto dentro de alguns dias.

A Camisa da Responsabilidade Social

Por Rogério do Espírito Santo e Thales Barreto

Nos últimos anos ter uma atuação com maior responsabilidade social ganhou ainda mais importância. Deixou de fazer parte apenas do campo da ética empresarial e passou a ser uma necessidade latente na sociedade contemporânea por causa de pautas como o aquecimento global, a inclusão de pessoas desfavorecidas economicamente, a preservação do meio ambiente, a qualidade de vida nas grandes cidades, a violência, entre outros assuntos que permeiam nossas vidas nos dias de hoje.

Responsabilidade social não é – ou não deveria ser – uma forma de criar uma imagem politicamente correta para organizações como empresas ou clubes de futebol. É uma ferramenta para formar valores na prática, com ações para compartilhar conhecimentos, experiências e projetos com potencial de melhorar a vida das pessoas, a comunidade local, a qualidade de vida nas cidades onde vivemos, criar oportunidades para formar cidadãos melhores, com mais inclusão social e consciência ambiental. Resumidamente, responsabilidade social é uma ferramenta de transformação, não de política e status quo.

E qual o posicionamento da Dupla Grenal nesse contexto? Conversamos com diretores de Grêmio e Internacional para saber como andam as ações de responsabilidade social e encontramos um campo em desenvolvimento, com excelentes projetos de engajamento com a comunidade local no caso do Grêmio e com consulados que realizam ações solidárias e participativas, espalhados pelo Estado e até pelo mundo no caso do Inter. Para você amigo do Conexão Grenal vamos falar agora um pouco mais sobre a responsabilidade social na Dupla. Além de apreciar o que vem sendo feito nós damos uma dica: pense com o coração de torcedor sobre como você gostaria que a responsabilidade social fosse utilizada pelo seu time. Que proporções você gostaria que tomasse? O Internacional poderia mudar a sua vida ou da comunidade onde você mora? O Grêmio poderia utilizar a ações de responsabilidade social para ajudar a formar pessoas melhores? Acreditamos que sim. E mais que isso. Nossa matéria nos mostra que você pode participar dessas conquistas.

Na opinião do Grêmio responsabilidade social é um caminho longo

Foto: Thales Barreto/ Conexão Grenal

O assunto responsabilidade social entrou em debate no Grêmio no início da segunda gestão do presidente Fabio Koff. Segundo Evandro Krebs, da atual Diretoria do Departamento de Responsabilidade Social, já haviam ações, mas não havia um setor que cuidasse desse assunto formalmente. No final de outubro de 2014, já no término da gestão Koff, Krebs teve uma conversa com Romildo Bolsan, candidato à presidência do clube na época. Na ocasião ficou decidido, por vontade do atual presidente, que a criação de um Departamento de Responsabilidade Social seria prioridade em sua gestão.

Para efetivar o projeto, o Grêmio ampliou as fronteiras. “Nós realizamos um estudo na área junto ao Palmeiras, Cruzeiro, Atlético Paranaense, Barcelona, Benfica e Real Madri, para formar o nosso departamento no Grêmio”, diz Krebs. Segundo o dirigente ver um departamento de responsabilidade social se transformar em fundação, como é o caso da Fundação Barcelona, Fundação Real Madri ou Fundação Milan é algo que provoca entusiasmo. “Essas grandes estruturas realizam iniciativas que viabilizam projetos ligados ao esporte e à responsabilidade social. Iniciativas que aqui no Brasil não se consegue desenvolver, por exemplo, que visam manter alunos nas escolas em turno integral, esses grandes clubes conseguem realizar em várias partes do mundo. Essa capacidade de possibilitar a aprendizagem por meio de profissionais capacitados, com alimentação, recreação e estrutura adequada, em comunidades que necessitam esse tipo de apoio isso é fantástico. É realmente inclusão social pelo esporte”, conta. “O Barcelona faz um trabalho desses na África”, acrescenta ele.

Ações como as realizadas pela Fundação Barcelona são referências para Krebs e o Departamento de Responsabilidade Social do Grêmio. “Sabemos que é um caminho longo. Temos que fazer isso passo a passo e sabendo onde queremos chegar. E que seja uma ação permanente e integrada aos valores do clube”, diz.

Planejamento até 2020 guia as ações sociais da FECI no Inter

Foto: Thales Barreto/ Conexão Grenal

No Internacional as ações sociais já são uma bandeira antiga, segundo Lúcio Ignácio Regner, Presidente da FECI – Fundação de Educação e Cultura do Sport Club Internacional, o time do Gigante da Beira Rio é pioneiro no mundo em atuação social. A biblioteca do Internacional iniciou em 1943 para que os atletas, familiares e dirigentes tivessem um espaço de entretenimento e leitura.

Em 1975 criou-se a FECI, para unir a biblioteca a uma proposta de ações sociais, para expandir os horizontes do clube e realizar ações para beneficiar a comunidade de alguma forma. Desde então a FECI não parou mais e já se vão 40 anos de ações sociais e culturais. “Nós queremos pleitear um terreno para construir uma sede própria, museu e salas apropriadas para o ensino de música e ginástica olímpica”, conta Lúcio Regner. A construção de uma estrutura própria está no planejamento definido até 2020. “Estamos no primeiro ano do nosso planejamento”, diz Regner.

Os consulados do Inter, na ativa desde 1948, apesar de pouco divulgado, realizam ações sociais o tempo todo, nas mais diversas localidades do Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo. “O pessoal costuma se reunir para fazer um churrasco e pensar em alguma ação para ajudar a comunidade local”, diz Alexandre Ribeiro, Vice Presidente de Relações Sociais e responsável pelos consulados do Inter. “São mais de 700 consulados espalhados pelo mundo. Alguns mais organizados que os outros, uns maiores, outros menores, mas cada um representa o clube a sua maneira”, diz Ribeiro.

Solidariedade e paixão pelo clube move os consulados do Internacional

Por Rogério do Espírito Santo e Thales Barreto

Os consulados do Inter são uma fraternidade que acende a chama da paixão pelo clube em vários cantos do mundo. E para celebrar esse elo em comum, esse espírito de torcedor entra em campo também o desejo de ajudar o próximo. “Nós temos consulado na Bahia. Tu não tens ideia do que eles fazem lá. São 270 sócios. Eu estive lá em um jogo e eles juntaram em torno de 500, 600 colorados em um almoço. Toda a semana eles se juntam e fazem arrecadação de alimentos, fazem costelão, se reúnem para ver o jogo. Eles atuam dentro do núcleo deles na comunidade da Bahia. É algo totalmente diferente do que estamos acostumados”, conta Alexandre Ribeiro, que tem a oportunidade de participar desses encontros rotineiramente em todo o Rio Grande do Sul e em diversas regiões do Brasil.

Segundo Ribeiro, cada consulado segue a mesma linha, as mesmas diretrizes, mas têm as suas particularidades, seja no consulado da Alemanha ou na serra gaúcha. É o caso do Consulado Guaíba, que tem um calendário de ações anual, gerenciado a seis anos pelo Cônsul Jackson de Andrades Rocha, com nove anos como integrante. “Nós temos em nosso calendário base a Páscoa Colorada, Campanha do Agasalho, Dia da Criança e Natal Colorado. E ainda surgem algumas situações que nós avaliamos se podemos ajudar. Caso seja possível assim o fazemos”, diz Rocha.

Este slideshow necessita de JavaScript.

No Dia da Crianças, 12 de outubro, cerca de 100 crianças da escolinha de futebol City foram presenteadas e participaram de recreação com brinquedos infláveis. Ainda em homenagem ao Dia das Crianças, em 19 de outubro, o Consulado Guaíba e a Dell Computadores ofereceram lanches e brinquedos durante um dia todo de divertimento para crianças de 0 a 6 anos da escola Três Patinhos, localizada no bairro São Jorge. A escola pública atende cerca de 150 crianças por dia, em dois turnos. Em 2016, o Consulado Guaíba realizou ainda diversas ações, como a Campanha do Agasalho, que em 19 de junho entregou cerca de 500 peças de roupas usadas para a Sociedade Espírita Discípulos de Cristo e uma rifa beneficente que ofereceu uma camisa do Inter autografada, para ajudar um menino de três anos, portador de uma síndrome rara chamada West. A arrecadação chegou a R$ 3.590,00. Para custear os medicamentos por um tempo até obter a isenção do governo do estado.

O Consulado Viamão também organiza importantes ações sociais, sob a direção do Cônsul Rafael Morosini Miranda. Entregou 600 quilos de alimentos não perecíveis para a APAE de Viamão em fevereiro deste ano. Na páscoa foi realizada uma ação junto à ong Nosso Crescimento, na Vila Augusta, doando cestinhos com ovos, balas, pirulitos e brinquedos para em torno de 300 e 400 crianças. No inverno rigoroso, o Consulado Viamão se juntou à comunidade e fez a doação de 400 quilos de alimentos não perecíveis e meia tonelada de agasalho, para a creche comunitária Tia Loló, conhecida nas redes sociais. Para o final do ano é esperado o Natal Colorado em Viamão. Sobre a ação que mais marcou, o Cônsul Rafael, que está na ativa desde 2002, diz que todas as ações têm um valor especial, sem destacar uma em especial. “Cada ação tem um sentimento, um valor enorme, independente do número de pessoas ou crianças que estamos ajudando, todas têm um lado emocional e conta o Consulado estar fazendo alguma coisa para ajudar, independente das cores clubísticas, não tem como dizer uma que mais marcou”, explica Rafael. O Cônsul ainda faz um convite a todos que gostariam de participar do Consulado Viamão. Hoje estão com um número reduzido de participantes e abertos para receber todos que desejam celebrar a paixão pelo Internacional e o trabalho social e solidário.

O fomento ao empreendedorismo do lado do Grêmio

Por Rogério do Espírito Santo e Thales Barreto

O Grêmio percebeu a comunidade ao redor da Arena como uma grande oportunidade para exercer a responsabilidade social. E a proposta tricolor vai além de apenas ter mais proximidade com a comunidade local. O Grêmio está fomentando o empreendedorismo e o desenvolvimento socioeconômico, para cerca de 50 mil pessoas, moradores dos bairros Navegantes, Humaitá e Farrapos. Inicialmente a ideia era apenas integrar os moradores dos bairros do entorno em diversas atividades.

Em uma reunião do Departamento de Responsabilidade Social (DRS) foi cogitada a ideia de verificar quantas famílias das comunidades não eram beneficiadas pelo programa Bolsa Família. Foi nesse momento que Marco Fumegali, integrante da DRS, percebeu que a ideia era boa mas não traria renda para as famílias. “Porque a gente não chama o Sebrae para fazer uma parceria e dar cursos de empreendedorismo para a comunidade”, conta ele. A ideia foi adiante e o projeto foi formatado para despertar o interesse do Sebrae. Tudo começou com a derrubada positiva de certos mitos junto à comunidade. “Percebemos que o pessoal tem medo de se tornar empresários porque estão acostumados a atuar à margem do governo, sem ter de se preocupar com a formalização”, conta Fumegali. O Sebrae deu uma palestra sobre o empreendedorismo e microempreendedor individual. “As pessoas perceberam que no MEI tu te legalizas com um custo muito baixo, não precisa de contador, tu tens muito mais benefícios do que custos”, diz ele. Daí em diante, com a aceitação da comunidade, a ideia deslanchou. Foram oferecidos três módulos de cursos em parceria com o Sebrae com os temas como registrar o negócio, boas práticas de alimentação e sei controlar o meu dinheiro. “A ideia é ajudar o empreendedor no seu desenvolvimento.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Marco Fumegali já tem experiência de longa data com o empreendedorismo. Na década de 90 foi instrutor do programa Brasil Empreendedor e ministrou várias palestras do curso. “Eu percebi que a vida das pessoas muda quando elas podem empreender”, revela. Fumegali diz que a missão agora é preparar o pessoal para aproveitar as oportunidades. “Sempre tem gente aqui no entorno, comprando ingressos ou vendo o que está acontecendo”, explica ele. “A ideia é ajudar os comerciantes a profissionalizar seus negócios, porque eles não vão preparar alimentos, por exemplo, apenas nos dias de jogo”, conta. Os participantes ganham certificado do Sebrae. “Eles têm de assistir todos os módulos do curso para ganhar o certificado”, ressalta Fumegali.

A FCDL – Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul – é outra parceria do Grêmio. “A FCDL tem uma outra metodologia, os cursos à distância. Nós já acertamos com eles um curso que começa presencial, para avaliar qual o potencial de ser realizado à distância, quem pode receber uma senha para acessar os cursos na web”, conta Fumegali. Segundo Leonardo Neiras, Diretor Administrativo da FCDL, o primeiro desafio é levar os empreendedores da região ao nível de formalidade necessária para aproveitar todos os benefícios de estar formalizado, o segundo desafio é mostrar para eles as vantagens, os benefícios de participar de um programa criado para ajudar pequenas empresas. “Nós temos pesquisas que mostram que quase 70% das empresas que participam dos nossos programas melhoram a sua lucratividade. Isso indica o quanto é importante você fazer a gestão correta dos processos dentro da empresa”, explica Neiras.

“A maioria dos empreendedores da região do Grêmio faz suas vendas informalmente, eles fazem na tentativa do acerto e do erro, não existe uma metodologia. O que nós já estamos estruturando com a diretoria do Grêmio é um programa de educação, inclusive envolvendo o próprio Sebrae, onde a gente possa dar uma base de conhecimento mínimo, para que o empreendedor entenda o que vai se abordar”, conta Neiras. Segundo o administrador da FCDL, o perfil do empreendedor em torno da Arena é tradicional, porém com algumas dificuldades, mas a ideia é disponibilizar uma consultoria completa, com dez cursos e tudo começa com um ciclo preparatório, para que o empreendedor local possa entender perfeitamente a abordagem que será apresentada.

Desde 1975 a FECI atua com Projetos Sociais

Por Rogério do Espírito Santos e Thales Barreto

Com o objetivo de integrar atletas e seus familiares, através do desenvolvimento intelectual e da informação, surgiu a Biblioteca do Internacional em 1943, que depois transformou-se na FECI – Fundação de Educação e Cultura do Sport Club Internacional, já com a missão de atuar para contribuir com a comunidade com ações sociais. Hoje, após tanto tempo, a FECI continua a erguer a bandeira da responsabilidade social e mantém o sonho de ampliar suas atividades vivo, com planejamento para 2020.

Este slideshow necessita de JavaScript.

A ação prática se dá através de projetos sociais. Um deles é o Cidade Escola, cujo o objetivo é levar mais educação e oportunidades aos alunos das escolas públicas das regiões mais carentes de Porto Alegre, através do desenvolvimento da criatividade. O projeto começou com oito escolas em 2007 e hoje está com 38 escolas, em bairros como Lomba do Pinheiro, Restinga, Vila Nova, Passo das Pedras e Rubem Berta, entre outros. São 120 educadores selecionados e treinados pela FECI para possibilitar atividades até às 16h, para alunos que estudam no turno da manhã. “Os alunos participam de atividades artesanais, esportivas e outras atividades pedagógicas. Eles recebem recreação, educação e alimentação”, diz Raul Jardim Cabral, Supervisor do Projeto Cidade Escola. Para saber mais sobre os projetos da FECI, basta acessar o site da entidade.

O Desejo Azul une voluntários que querem levar alegria às crianças nos hospitais

Por Rogério do Espírito Santo e Thales Barreto

Com cinco anos de atuação, o Instituto Desejo Azul conta com mais de 1100 voluntários envolvidos em ações sociais. “A ideia é unir a paixão pelo Grêmio e a esperança de cura”, conta Eduardo Caminha, Presidente, que se inspirou na ONG norte-americana Make-A-Wish, Faça um Desejo, em português, e na história de um menino com câncer chamado Rafael. “O Make-A-Wish atende desejos de crianças portadoras de 03 a 17 anos de toda a ordem, leva na Disneylândia, dão brinquedos, enfim”, conta ele. Já a história do menino Rafael tocou Eduardo porque cada vez que ele ouvia o hino do Grêmio apresentava melhora. Foi quando ele pensou: “Só um pouquinho, se o Rafael melhora quando escuta o hino do Grêmio e se existe uma instituição, um órgão governamental, enfim, que atende o desejo de crianças e eles melhoram com isso, porque a gente não junta um desejo e o Grêmio?! Estava criado o Desejo Azul”, conta Eduardo. “As pessoas se colocam à disposição para participar e ficam muito contentes em ver a alegria da criançada, que passam por um momento muito difícil na vida, e que vão ter uma palavra de carinho e esperança, ou seja, unindo a paixão pelo Grêmio e, quem sabe, a cura da sua doença”, conta.

Este slideshow necessita de JavaScript.

O mesmo sentimento faz com que Paola Rossana participe do Instituto Desejo Azul a dois anos e meio. “É uma honra participar porque não tem fins lucrativos. Nós juntamos uma galera, nós fazemos todo o contato para que as pessoas venham conhecer o Instituto”, comenta Paola. Segundo ela, a maior recompensa é ver o sorriso das crianças e dos pais que recebem a camiseta do Desejo Azul com o nome da criança doente. “Não tem o que seja mais gratificante do que ver os olhinhos brilhando das crianças”, conta. “Eles têm um contato, nem que seja momentâneo, de alguém que vai lá e leva felicidade, para eles que estão passando por diversas situações difíceis”, relata Paola.

Para quem quer participar do Desejo Azul, basta ter um tempinho para se dedicar e entrar em contato pelo e-mail contato@desejoazul.org. Mais informações no site http://www.desejoazul.org.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: