Eu ainda não terminei esse texto

Eu ainda não terminei esse texto


Comecei a escrever este texto faz um ano. Um ano que ele estava na gaveta. Eu ainda não sei lidar com essas perdas. Eu ainda não terminei este texto. Eu sinto falta de vocês.

Como somos frágeis e efêmeros. Uma viagem para encontrar a família ou para a realização de um sonho pode ser a última de nossas vidas. E os que ficam, como agir com essa ausência?

Terça-feira da semana passada perdi uma colega, a Rafael Melz, em um acidente estúpido na rodovia que corta a minha cidade. Fomos colegas em algumas cadeiras durante a faculdade.

Trabalhamos no mesmo prédio, em setores diferentes, mas sempre que tivemos contato ela foi educada e atenciosa. Profissionalmente era muito competente e dedicada. Tinha uma carreira brilhante pela frente.

A dor pela brutalidade do acidente me tocou de uma maneira devastadora. Mesmo não sendo uma pessoa próxima, existia uma admiração pelo trabalho dela e um afeto por um colega que estava se dando muito bem em sua carreira.

A dor da perda da Rafaela estava começando e ficar mais tolerável quando acontece outra tragédia. A queda do voo da Chapecoense não ceifou só a vida de jovens jogadores de futebol de um querido e modesto clube, mas levou outro colega, o Laion. Porra, o Laion!

Conheci o Laion na faculdade. Uma amiga muito querida era namorada dele. Foi essa amiga que me apresentou a minha ex-namorada. Nos encontramos em várias situações e era um cara fantástico. Alguém acessível, engraçado, de um coração gigante. Não conheço uma pessoa que tenha algo de negativo para falar do Laion. A única coisa negativa é que ele foi cedo demais.

Atualização: Eu não sabia que essas duas fotos existiam. Eu localizei elas hoje, movimentando alguns arquivos enquanto tentava encontrar a foto que está em destaque neste texto. Esta foto foi tirada no final de dezembro de 2011, durante o aniversário do Tiago Medina.

1 comentário sobre “Eu ainda não terminei esse texto

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: