Obrigado, Ketty

Ketty, do inglês Cat. É claro que o nome precisava de retoques na “tradução”. A primeira vez que encontrei a Ketty ela estava muito fraca, tinha poucos dias e tinha sido recolhida na rua após ser apedrejada na praça principal de Rosário do Sul. A Dona Ruth conseguiu recuperar ela com um cuidado que eu não conhecia. Eu tinha 13, faria 14 em alguns meses.

Quando fomos buscar a Kettty para morar com a gente ela estava super disposta e brincalhona. Foi uma alegria imensa. Lembro que com ela um pouco mais crescida eu colocava ela no muro para “escalar” ele. Era uma brincadeira, claro. Ficava impressionado com a força que ela tinha nas patinhas dianteiras. Óbvio que com um tratamento desses a gta não gostava de ficar muito próximo de mim, acho que todos entendem.

Com 15 anos eu sai de casa e vim para Porto Alegre e a Ketty ficou por lá. Era 2002. Quando ia visitar meus pais corria atrás da gata que ainda insistia em fugir de mim… Lembro de uma gravidez que ela passou mais de 24 horas em trabalho de parto. O último gatinho nasceu morto ao lado da minha mesa do computador. Em 2006 meus pais vieram morar em Porto Alegre e a Ketty trouxe de tiracolo uma de suas filhas, a Lóli.

A minha aproximação da ketty aconteceu em 2007 quando entrei em depressão. Chegava da faculdade e, logo após o almoço, tirava uma soneca na minha cama com ela deitada junto de mim. Essa aproximação nunca mais iria acabar. No ano seguinte comecei a namorar a Pâmela e a Ketty sempre estava por perto nos fazendo companhia. Fazíamos questão dela dormir conosco no quarto. Em 2009, durante meu trabalho de monografia, a Lóli acabou falecendo devido uma grave doença no fígado poucos dias antes do gato Lourival vir aqui pra casa junto com uma das minhas irmas.

Nesse momento tentamos aproximar os dois, mas eles não se deram bem. Logo a Ketty acabou vivendo apenas no meu quarto. Nossos laços só se estreitaram. Ketty era a minha companheira de vários momentos. Crises de ansiedade, depressão, felicidade, alegria… Sono, muito sono. Ela dormia na cama comigo e ultimamente fazia questão de dormir no braço da Pâmela, no nosso meio.

No último mês a ketty parou de comer, andava com diarréia perdeu peso… Levamos ela na veterinária e suspeitamos de tártaro, já pela idade avançada. Ela foi medicada e chegou a ganhar um pouco mais de peso mas acabou voltando a deixar de comer. Na segunda-feira ela foi em outro médico e iniciou um novo tratamento, estava com um pouco de anemia. A Ketty ficou muito abatida nos últimos dias. Na noite passada a respiração dela estava difícil. Hoje de manha entramos em contato com o veterinário que indicou outro medicamento e pediu que levassem ela na segunda feira. Infelizmente não deu tempo. No final da tarde a Ketty estava deitada ao meu lado, levantou e suspeitei que ela quisesse ir na areia. Ela passou mal e acabou falecendo nas minhas mãos. Ainda tentamos levar ela numa veterinária que tentou ressuscitar mas não teve sucesso.

Minha gatinha de 13 anos, de metade da minha vida, acabou indo cuidar dos filhotes das diversas crias que ela teve. Nos deixou diversas fotos e milhões de lembranças felizes. Foi uma gata fantástica. Amei todos os gatos que tive assim como certamente vou amar os que ainda vou ter, mas a Ketty é especial. Eu vou ter que me ver adulto sem a minha grande companheira. Obrigado, Ketty, por todos os momentos. Eu te amo e um dia nós vemos de novo.

Foto: Blog Simullações/ Thales Barreto
Foto: Blog Simullações/ Thales Barreto

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