“A dor ainda é a mesma, ela só aumentou de nível” – 12 Fêmeas – Marcelo Nova

Foto: Divulgação

Marcelo Nova está entre os artistas que mais escutei em 2020. Seja sua trajetória solo, seja com o Camisa de Vênus. Geralmente o disco que eu mais ouvia do Marcelo era o Hoje no Bolshoi, gravado ao vivo em uma casa de espetáculos de Goiânia. Todavia, este ano tem a cara do 12 Fêmeas.

Lançado em abril de 2013 o disco é o que possui as melhores letras do Marcelo Nova. É um disco complexo e extremamente maduro. Uma faixa desse álbum está no Hoje no Bolshoi, lançado em 2012. Bom, eu já falei do Marcelo Nova aqui no blog quando comentei o sensacional A Panela do Diabo.

Nós somos a prova viva/ Do imenso mal gosto de Deus”

Temporada no Inferno – Marcelo Nova

O mais interessante da carreira do Marcelo é ver a evolução na qualidade da composição. O 12 Fêmeas é de uma poesia ímpar. É um disco denso, pesado, obscuro. É um disco que merecia mesmo ser escutado ao extremo neste 2020 que vivemos uma “temporada no inferno”. Bastidores deste disco são comentados pelo Marcelo Nova no livro O Galope do Tempo, do André Barcinski.

Antes de tudo. Este é o nono disco de estúdio do Marcelo Nova. Ele gravou após um hiato de 8 anos sem um álbum de inéditas. O anterior a esse é O Galope do Tempo, outro belo registro do Nova. Além de Marcelo, participaram da gravação do disco o seu filho, Drake Nova (guitarras e violões) e Luis De Boni (piano, órgão, harpsichord, contrabaixo e violões). Além disso contou com convidados especiais.

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O 12 Fêmeas tem… 12 faixas. São elas “Claro Como a Luz (Escuro Como Breu)”, “Inverno Impiedoso”, “Eu Lhe Vejo em Sonhos”, “Anjo Doce Anjo”, “A Minha Inveja”, “Blue Eyes”, “O Nome do Jogo”, “Temporada no Inferno”, “O Ódio da Mão Que Afaga”, “Mistério para Mim”, “Não Consigo Escapar de Você” e “Sinais de Fumaça”. O mais difícil é separar quais as músicas mais potentes desse disco.

Algumas frases do 12 Fêmeas:

“É claro como a luz, é escuro como o breu/ Seu coração não está tão quebrado quanto o meu”

“Esse deve ser o inverno/ Mais impiedoso que já vi/ Todas as luzes já se apagaram/ E eu ainda não lhe esqueci”

“Anjo doce anjo, me responda se é visível/ A sua criança está de volta, quase irreconhecível/ A dor ainda é a mesma, ela só aumentou de nível (…) Como uma ilha de ódio no seu oceano de paz”

“Você me fez ir você me faz voltar/ E eu sigo quebrando o que não sei consertar”

“O que você lembra é mentira/ E eu já esqueci da verdade/ Então não vá acordar os mortos/ Com o barulho da sua ansiedade”

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“Só procure controlar o seu pavor interno/ E bem vinda a outra temporada no inferno”

“Aqui estão seus encantos, seus venenos e todas as suas pragas/ E aqui está o ódio da mesma mão que afaga/ Aqui estão as taças, um brinde ao meu orgulho/ E aqui está o nosso silêncio que ainda faz tanto barulho”

“Era o último minuto do ano e os fogos bailavam no ar/ Contemplei o espaço, ergui meus braços mesmo sem ter ao que brindar/ Então transbordei minha taça nesse ritual ao qual tentei me submeter/ Na garrafa nem mais uma gota e eu não consigo escapar de você”

“A chuva não tem piedade, é a verdade nua e crua/ Existe um vexame no céu e só uma fatia da lua/ Fui procurar abrigo nos vinhos de uma taverna/ Sei que a vida é breve mas a danação parece ser eterna”


Tirei trecho de quase todas as músicas, mas duas eu preciso muito que vocês prestem mais a atenção. São elas: Temporada no Inferno e O ódio da mão que afaga. Em 2020 Marcelo lançou um single chamado “Brincando com a vida alheia”, sobre a pandemia do Sars-Cov-2.

O Camisa lançou em 2019 o Dançando em Porto Alegre, ao vivo. A letra de Manha Manchada de Medo, composta pelo Marcelo com o Drake, é uma coisa absurdamente linda. Ficam as dicas.