Foto: Lucas Uebel/ Grêmio

O jornalista ele quer bajulação

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Renato chegou no Grêmio, pela terceira vez, em 2016. Lembro que a Lurdinha Matos adiantou a vinda dele e do Espinosa no Conexão Grenal. Na época achava que o Grêmio precisava de um técnico, não do Renato. Bom, Portaluppi tirou o tricolor de uma fila de 15 anos com a conquista da Copa do Brasil e no ano seguinte conquistou a Libertadores. Eu não vou puxar meu texto aqui, eu estava errado.

Nos últimos 4 anos o Grêmio chegou a três semifinais de Copa Libertadores. Sabe quando isso aconteceu antes com o tricolor? Nunca.  Com um time brasileiro? Quatro outras vezes. Com o Santos, do Pelé, nos anos 1960, com o São Paulo, do Telê, nos anos 1990. Com o Cruzeiro, nos anos 1970, e com o Palmeiras, entre 1999 e 2001. Será que o Renato merece crédito?

Vamos lá. Renato é o técnico mais longevo em um time no futebol brasileiro. Renato conquistou, no comando do Grêmio, uma Copa do Brasil, uma Libertadores, uma Recopa Sul-Americana e três estaduais. Foi semifinalista da Libertadores em 2017, 2018 e 2019. Em 2018 foi eliminado de maneira controversa, já que o regulamento foi ignorado pela Conmebol. Treinador suspenso não pode entrar no vestiário, mas naquele ano pode. Na semifinal de 2019 o time tomou um chocolate do milionário Flamengo.

Foto: Lucas Uebel/ Grêmio
Foto: Lucas Uebel/ Grêmio

Problemas? Claro que o Grêmio tem. O tricolor não desempenha o mesmo futebol de outros anos. O time está muito abaixo de 2018, que não foi lá um ano muito interessante, tendo em vista que a equipe jogou um futebol muito vistoso entre 2015 e 2017. Trabalhos de Felipão, Roger Machado e Renato.

O Grêmio sofre porque o time mudou. Não existe mais um camisa 10. Douglas se aposentou recentemente. Luan, o soneca, agora dorme com o manto do Corinthians. Jean Pyerre, ou Luan 2.0, não é um jogador confiável, já que se lesiona com certa frequência. Outros menos cotados não funcionaram. É claro que o Renato precisa ser cobrado pelas decisões que toma. Thaciano não merece fardar. Robinho, precisa funcionar logo. Cortez, é banco de Diogo Barbosa, ou Guilherme Guedes.

A torcida, e parte da imprensa, quer o Grêmio de 2016/ 2017, três, quatro anos depois. Agora, será que as críticas ao Portaluppi estão levando em conta o cenário que está posto? O Palmeiras, que já mudou várias vezes de treinador entre 2016 e 2020 e ganhou duas vezes o brasileirão, não chegou a nenhuma semifinal de Libertadores neste período. E olha que o investimento para chegar foi grande. O Flamengo, que atropelou em 2019, não levantava uma Libertadores desde os anos 1980.

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O Grêmio sofre com lesões, um elenco reduzido diante de adversários mais cotados e com mais tempo para treinar. O tricolor gaúcho está passando por um momento de transição que colegas da imprensa tem dificuldade de compreender. Maicon, a alma do Grêmio desde 2014, está seis anos mais velho. Isso se vê em campo. Não existe substituto.  Vale lembrar que a imprensa/ o Internacional procura um “novo D’Alessandro” faz uns 8 anos.

Os jornalistas Marcelo Barreto e Ana Thais Matos, ambos do grupo Globo, não conseguiram ver o absurdo que aconteceu no Morumbi algumas semanas atrás. Preferiram investir na implicância contra o Renato do que nos fatos que pontuaram uma arbitragem completamente desastrosa. E olha que o controverso “comentarista de arbitragem” embasava as críticas de Renato.

A meu ver falta auto crítica para a nossa categoria. Renato tem defeitos? Sim, vários. Agora, e nós? Será que estamos sendo honestos nas análises? Será que estamos ponderando quando fazemos as críticas? Que Grêmio estamos esperando em 2020? Ainda sonhamos com o grêmio de troque rápido e fluido de 2016? Se esperamos isso, precisamos entender que já se passaram 4 anos. Tudo se transformou.

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Enquanto pedimos um desempenho melhor, o Grêmio levantou o caneco do estadual e avançou em primeiro lugar no seu grupo da Libertadores. Neste momento, tendo realizado um jogo a menos que o líder da competição, o tricolor ocupa a oitava colocação do Brasileiro. O que queremos? O que é possível termos? Até onde as críticas servem e onde elas extrapolam para questões pessoais? Em que momentos deixamos de fazer as análises e só queremos a bajulação?

Colaborou Lucas Dornelles.

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