Terça-feira, 11 de setembro de 2001

view of lower manhattan

Essa semana me perguntaram por que eu escolhi o jornalismo. Eu não sei exatamente o momento certo em que escolhi essa profissão, mas tenho certeza de que os atentados de onze de setembro de 2001 foram fundamentais na consolidação desta escolha. Eu tinha 15 anos quando aquelas duas torres foram atingidas por dois aviões comerciais de grande porte. Eu lembro detalhes do dia que isso aconteceu. Até hoje me arrepio com as imagens.

Agora a pouco, noite do dia 10 de setembro de 2021, estava olhando um documentário com imagens inéditas no Brasil sobre o atentado. Ouvir a gravação de uma mulher sabendo que iria morrer nas torres, ver as imagens de pessoas que não suportaram o calor infernal que corroía o WTC e desistindo de esperar a morte inevitável, pulando dos andares mais altos é desolador.  Enquanto eu olhava o documentário, meu celular vibrou e era uma mensagem do meu melhor amigo de infância.

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Photo by Thomas Svensson on Pexels.com

Na mensagem o Bruno dizia: “Amanhã, na parte da manhã, há 20 anos atrás, tu estarias sendo o primeiro a me contar do que ocorreu nas Torres Gêmeas. Tu tinhas ido em casa, se não me engano, e na frente do Plácido (Colégio Plácido de Castro, em Rosário do Sul) tu me disseste o que estava acontecendo.” Confesso que não lembro desses detalhes, mas é muito provável que isso tenha acontecido. Lembro com mais clareza quando cheguei em casa após a aula, por volta das 11h 30 da manhã, e vi na televisão as imagens do atentado. Lembro de ir ao banco com a minha irmã mais velha e de ficar o dia todo preso na televisão buscando mais informações. Era um mundo completamente diferente do que vivemos hoje. Ainda mais no interior do Rio Grande do Sul.

Eu gravei em VHS o Jornal da Globo naquela noite. Ana Paula Padrão apresentava o telejornal. Eu comprei a revista Veja da semana sobre os atentados. Cheguei a fazer um trabalho para o colégio sobre os atentados. Trabalho que eu não lembro de ter apresentado, mas lembro que ficou na escola para outros colegas consultarem posteriormente. Ao final daquele ano eu saí do Plácido e me mudei para Porto Alegre. Em 2005 comecei a fazer jornalismo e me formei em 2009. No convite para a formatura pediram que cada um falasse um evento que gostaria de cobrir e eu, claro, falei nos ataques de 11 de setembro de 2001. Até hoje eu imagino a correria dos grandes veículos cobrindo aquele atentado. Ver as imagens em documentários sempre me devolve para aquela terça-feira.

Photo by Michal Dziekonski on Pexels.com

Outras coisas. Um dia antes eu tinha comentado com o meu pai sobre não termos nenhum fato histórico desde a queda do Muro de Berlin, que marcou o fim da União Soviética e o fim da Guerra Fria, em 1989. Em agosto de 2001 a filha de Silvio Santos, Patrícia Abravanel, e o próprio apresentado haviam sido sequestrados em um evento que parou o país. Semanas depois o SBT levaria ao ar a primeira edição da Casa dos Artistas, programa de televisão que também prendeu a atenção dos brasileiros naquele final de ano.

Ah! Eu ainda tenho aquela edição da revista Veja. O VHS com o Jornal da Globo e aquela edição histórica eu não sei onde anda, já deve ter se perdido. O meu trabalho sobre os atentados eu nunca mais vi. Não sei se ainda existe. Eu não poderia terminar esse texto sem citar a queda do governo de Allende que aconteceu em 11 de setembro de 1973. O golpe de estado no Chile completa 48 anos neste 11 de setembro de 2021.

Update: O grande Leonardo Severo me passou, pelo Twitter, o link do Jornal da Globo daquela terça-feira. Uma edição histórica.