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Opinião

“Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecer” – In Memoriam – Vicente Celestino

É muito estranho falar sobre um disco do Vicente Celestino, tendo em vista que o cantor faleceu no final dos anos 1960 e, infelizmente, vivemos em uma país que não tem lá muita memória. Vicente era chamado de A Voz Orgulho do Brasil. Isso é muito grande. Foi cantor, compositor e ator. Uma de suas canções de maior sucesso O Ébrio virou filme com direção de sua esposa, Gilda de Abreu.

Em uma edição passada do The Voice um “treinador” fez seu “pupilo” cantar Luar do Sertão. Música que fez grande sucesso no começo dos anos 1990 na versão de Chitãozinho e Xororó. O que mais me incomodou foi ele ter passado batido por Vicente Celestino. Se é um programa que buscam “A Voz”, nada melhor que relembrar uma voz como a de Celestino. Enfim…

Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar:
Quando eu morrer, à minha campa nenhuma inscrição.
Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar
Este ébrio triste e este triste coração.

O Ébrio – Vicente Celestino

Conheci Vicente Celestino muito pequeno em versões não autorizadas para cantar na cidade. Ia acampar com meus pais, tios e padrinhos todo verão. Lá havia versões para algumas músicas do Vicente e, claro, só fui reconhecer elas décadas depois quando, de fato, comecei a ouvir o cantor carioca nascido em 1894.

Embora tenha gravado mais de 100 discos, sendo o primeiro em 1915, apenas dois álbuns estão disponíveis nas plataformas digitais. Vou falar do In Memoriam, de 1993, que abre com o clássico O Ébrio. Seguido de outra composição de Vicente, Coração Materno. A terceira faixa é Rasguei O Teu Retrato, composição de Cândido das Neves “Índio”. A letra é sensacional, ainda mais no vozeirão do Vicente.

Eu sei também, ser ingrato
Meu coração, vê bem, já não te quer
Eu ontem rasguei o teu retrato
Ajoelhado aos pés de outra mulher”

Rasguei O Teu Retrato – Vicente Celestino

O disco prossegue com Ontem ao Luar (Choro e Poesia), de Pedro de Alcântara e Catulo da Paixão Cearense. Depois retornam canções compostas por Celestino. São elas Primeiro Amor, Falando ao Coração, Porta Aberta, Patativa, Ouvindo-te e Mia Gioconda. Essa última ganhou muito destaque em O Rei do Gado, mas na versão de Chrystian & Ralf com participação especial de Agnaldo Rayol.

As quatro últimas faixas do disco são Sangue e Areia, de Vicente Celestino e Mario Rossi, Noite Cheia de Estrelas, de Cândido das Neves “Índio”, Na Casa Branca da Serra, de Miguel Emídio Pestana e Guimarães Passos. Fechando o disco está Luar do Sertão, composição de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense.

Quando forem falar em sofrência, se referindo ao que é executado hoje, lembrem de Vicente Celestino e fiquem quietos. Ok, empolguei. O estilo do Vicente é completamente impossível de ser popular nos dias de hoje, mas em nenhum momento a beleza é perdida. Ouçam Celestino.


Bônus: Como brinde uma versão completa do Filme O Ébrio.

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