“Trocou o obituário pelo atraso do avião” – Invisível DJ – Ira!

Foto: Cristiane Moreira Fotografia

Invisível DJ, do Ira!,  é um disco problemático e ausente as plataformas digitais. Eu amo esse álbum. Enquanto a banda se esfarelava naquele começo de 2007, eu ia para Florianópolis, pela primeira vez, afogar as mágoas de um relacionamento terminado. Matei uma semana de aula entre o feriado do dia 21 de abril e o de 1º de maio e fui visitar uma prima. Invisível DJ estava no meu tocador de MP3.

Era o começo de um período muito turbulento que começou em 2006 e só terminaria, de fato, dez anos depois. Não estou aqui para falar das minhas merdas. Estou para falar de Invisível DJ. Já acho o título grandioso. Em uma era de Spotify e que o ídolo de milhões é um desconhecido para outros milhões o ‘invisível DJ’ está aí.

Fui capacho, já fui lama
eu te amei como pude
Fui herói, fui covarde
eu te amei como pude

Feito Gente – Walter Franco

Vamos lá. O disco é o primeiro de estúdio após o estrondoso sucesso do Acústico MTV. Nove, das doze músicas do disco são assinadas por Edgar Scandurra. Tem a regravação de Feito Gente, do grande Walter Franco, e a gravação de Eu Vou Tentar, de Rodrigo Koala, guitarrista da Street Bulldogs e compositor da Hateen. A segunda faixa, Sem saber para onde ir é do Marco Scandurra.

Bom. Vocês já devem ter notado que eu sou apaixonado por letras. Esse disco e aquela viagem fizeram muito sentido. Mariana foi pro Mar é uma bela canção. Invisível DJ faz um puta sentido. Não Basta o Perdão é um hino! “É preciso o amor não basta o perdão”. Isso é sensacional! O disco é recheado de boas frases.

O Candidato é daquelas músicas que todos deveriam ouvir. Ela é atual, mesmo 13 anos depois do lançamento disco. Enfim, durante a turnê deste álbum a banda acabou. Um atrito entre o Nasi e o irmão dele, empresário da banda, fez o Ira! terminar. Ou dar uma pausa, já que a banda retornou em 2014, sem o irmão do Raul Jungmann.

Talvez o maior disco do Ira! seja o Psicoacústico, embora o Isso é amor seja ótimo e o Acústico MTV sensacional. O Ira! tem letras de gosto duvidoso, mas é uma grande banda. Vale destacar aqui a carreira solo do Nasi que é espetacular. Destaco Onde os anjos não ousam pisar, lançado em 2006, e o Egbe, de 2015.